Harmonia Impossível – oito poemas de Alexandre Sartório
Antes de tudo, a língua desce ao nada: Trava o espírito perante o vazio, Como incessante corrente de rio De chofre, por barragem anulada.
Antes de tudo, a língua desce ao nada: Trava o espírito perante o vazio, Como incessante corrente de rio De chofre, por barragem anulada.
“Senhoras e senhores, boa noite; sejam muito bem-vindos: esta noite lhes vou apresentar meu novo número.”
Não quis Tomás porém ouvir que pratos, tigres mais travassem línguas que aquela serpentina de bruto cobre fulvo ali em suas mãos.
«Henrique Nascimento é um jovem escritor que a um só tempo lida com uma tradição poética bem sedimentada por séculos de uso, com a linguagem e com o espírito de sua época»
«Ninguém roubará aquilo que é teu./ Seja lá o que façam, não importa,/ pois só tu sabes o quanto valeu / e o quanto bateste em janela, em porta,»
Nesta vida, estamos sempre em busca da beleza. Mas essa é uma busca paradoxal: quando a alcançamos, percebemos que encontrá-la de modo fugaz não é o bastante. Somos seres mortais; no entanto, não queremos que nossa experiência do belo termine. Nosso desejo por ele é também desejo de eternidade e é por isso, Diotima revela a Sócrates no Banquete, que éros é querer possuir o belo eternamente. Mas isso não é tudo. Indo além de Platão, nas Confissões, Agostinho vê claramente: nosso desejo não pode ser satisfeito por nada que existe neste mundo. Ele é maior que o mundo e mira o ser em toda sua plenitude.
- por Hugo Langone E este mistério jaz na matéria mais bruta que pode haver: do cotidiano à baixeza de um rei embriagado. “A ficção”, confirma a senhorita O’Connor, “diz respeito a tudo o que é humano, e nós somos feitos de pó; e, se ficar empoeirado é algo que lhe desperta desprezo, você não deveria tentar escrever ficção. Não se trata de um ofício grandioso o suficiente”. Pois o artista conserva precisamente a loucura do santo: a de estar metido na poeira de si, dos outros, do mundo, entrevendo nesta secura, nesta fraqueza, uma presença que talvez ele não saiba como, mas acaba por insinuar.
Sonhei que tu conhecias as palavras que Deus falou pelo Anjo. Ao percorrermos a ontofania da memória, Onde guardamos o ramo abençoado? Após a primeira ressurreição, Terás subido ao leito carregando a terra negra nas tuas vestes.
Pois é assim que o homem vive quando abrem-se as tuas chagas começa no próprio coração a tua fonte para trabalhar a partir das margens
contentar-me é ir a Deus e perfurar o tecido das nuvens atrás do qual o sol é belo.