HIC SUNT DRACONES – por Fabrício Tavares de Moraes
A única tarefa que lhe confiaram fora a entrega do carro reformado, com calotas reforçadas, estofos de couro
A única tarefa que lhe confiaram fora a entrega do carro reformado, com calotas reforçadas, estofos de couro
"Segue, para publicação na Unamuno, a carta que aquela porca revistinha, de cujo nome prefiro esquecer, aquela lá com nome de Estado nordestino e logotipo de animal das neves, recusou-se a publicar. Nela, desfiz todos enganos e mentiras, burlas, engodos e aldabrices publicados na infame edição do mês passado, acerca do Dr. Roberto Mendes Oliveira, meu tio-avô."
Era uma caixa pequena e marrom-escura, estava no centro da mesa e fechada, afinal por que o vendedor deixaria uma caixa velha de papelão fechada assim...
— por Raul Martins Lima Numa rua sem saída existe uma casinha. Pequena, simples, sem janelas na lateral porque espremida entre duas outras casas com…
Tratavam-no como os antigos tratavam os oráculos. Ou quase isso: é bem verdade que muitos, em especial os mais jovens e os turistas, como seria de se esperar, escolhiam a via do folclore. Ainda assim, é justo dizer, todos guardavam diante dele certa reverência.
A luz do sol entrava pelos vitrais da janela luxuosa do escritório e coloria o rosto do cangaceiro. Ele despertou com aquela luminosidade nas pálpebras fechadas e olhou o relógio de bolso.
A primeira árvore de Natal que tivemos em casa, quando eu era criança, era das muito simples — alguns galhos de arame encapados com papelinhos verde-escuros, parecendo patas de um inseto peçonhento.
Era no tempo das radionovelas. Terça-feira, pouco mais de meio-dia. O Rio de Janeiro estava quente, quente pra diabo. E o Largo do Machado estava lotadíssimo — horário dos almoços rápidos, horário das conversações urbanas e horário das muvucas.
Nenhuma resposta. Girou a maçaneta. Na tela do computador, um desenho japonês de duas mulheres nuas; em cima da escrivaninha, condicionador e um rolo de papel higiênico. O irmão se encolheu, cobrindo-se com uma toalhinha e fechando a aba do computador com a mão que sobrava.
Quando chego, ela me reconhece e me cumprimenta com uma brincadeira. Ainda tem o mesmo olhar instigante, o humor que contagia, o espírito envolvente. Sorrio como resposta.