Seu Arlindo – por Gabriel Coelho Teixeira

Foi no deslocamento de alguns poucos minutos de bonde elétrico, num trecho da Avenida Rio Branco, que me deparei com a figura de Seu Arlindo. Era início de tarde, faltava pouco pro meio-dia, o calor do Sol ainda era agradável. Tomei o bonde na Cinelândia, querendo apenas evitar a caminhada até a Presidente Vargas, onde eu desceria, três pontos à frente. Sentei próximo a uma das entradas, no canto da janela, o assento ao lado ficando vago.

Continue ReadingSeu Arlindo – por Gabriel Coelho Teixeira

Oblívio – por Matheus Bensabat

Poucos dias após a internação da filha, resolveu voltar ao sítio em que vivera com os pais da infância à juventude, quando se mudou para o Rio. Precisava livrar-se da angústia, extirpar de si o remorso e reaver-se com o passado. Ao entrar pela estrada de terra pôde enfim ver a casa. Enxergava-a tão distante daquilo que fora, que não reconheceu as paredes que a constituíam. A impressão de abandono tornava-a esmaecida, fazendo-o sentir uma tristeza branda, como se ele se lembrasse de alguém a quem amara e que o tempo afastou.

Continue ReadingOblívio – por Matheus Bensabat

O velório da bela desconhecida

- por Marc Enrique Moret "Enquanto jogávamos punhados de terra no caixão, percebíamos pela primeira vez a solidão de nossas casas, a estreiteza de nossos sonhos, a baixeza de nossos ideais, diante do caixão da morta que morreu de susto. Mas ao pôr do sol sabíamos que tudo seria diferente: no São Conrado a lembrança da bela assustada viveria nos corações; e antes de tudo que fizéssemos de bom, teríamos pensado duas ou três vezes na morta de laços brancos que derreteu o remorso dos homens e mulheres. "

Continue ReadingO velório da bela desconhecida

Este inominado espetáculo: a arte de Nigel van Wieck

- por Pedro Rocha Souza Talvez o mais cativante na obra de Van Wieck seja o fato de que toda ela é feita da mesma matéria que nossa vida; que ele lance um olhar àquilo que já é por todos conhecido, àquilo que talvez nenhum de nós se atente em meio aos nossos afazeres diários, e que disto ele consiga tirar tanta beleza.

Continue ReadingEste inominado espetáculo: a arte de Nigel van Wieck