Reedificar os dias para sempre destroçados – ‘Pedra Bonita’ e ‘Cangaceiros’, de José Lins do Rego
- por Jessé de Almeida Primo Lendo Pedra Bonita e Cangaceiros, de José Lins do Rego, e assim acompanhando a saga dos Vieiras, as maldições…
- por Jessé de Almeida Primo Lendo Pedra Bonita e Cangaceiros, de José Lins do Rego, e assim acompanhando a saga dos Vieiras, as maldições…
contentar-me é ir a Deus e perfurar o tecido das nuvens atrás do qual o sol é belo.
Foi no deslocamento de alguns poucos minutos de bonde elétrico, num trecho da Avenida Rio Branco, que me deparei com a figura de Seu Arlindo. Era início de tarde, faltava pouco pro meio-dia, o calor do Sol ainda era agradável. Tomei o bonde na Cinelândia, querendo apenas evitar a caminhada até a Presidente Vargas, onde eu desceria, três pontos à frente. Sentei próximo a uma das entradas, no canto da janela, o assento ao lado ficando vago.
Duas, três, quatro, cinco e quantas mais? A cada vez que a sede volta, aumenta E sempre me empurrando, cega e lenta, Àquele mesmo poço dos meus pais.
Poucos dias após a internação da filha, resolveu voltar ao sítio em que vivera com os pais da infância à juventude, quando se mudou para o Rio. Precisava livrar-se da angústia, extirpar de si o remorso e reaver-se com o passado. Ao entrar pela estrada de terra pôde enfim ver a casa. Enxergava-a tão distante daquilo que fora, que não reconheceu as paredes que a constituíam. A impressão de abandono tornava-a esmaecida, fazendo-o sentir uma tristeza branda, como se ele se lembrasse de alguém a quem amara e que o tempo afastou.
- por Marc Enrique Moret "Enquanto jogávamos punhados de terra no caixão, percebíamos pela primeira vez a solidão de nossas casas, a estreiteza de nossos sonhos, a baixeza de nossos ideais, diante do caixão da morta que morreu de susto. Mas ao pôr do sol sabíamos que tudo seria diferente: no São Conrado a lembrança da bela assustada viveria nos corações; e antes de tudo que fizéssemos de bom, teríamos pensado duas ou três vezes na morta de laços brancos que derreteu o remorso dos homens e mulheres. "
"Foi de repente, quando eu tinha uns oito anos. Peguei um caderno e saí escrevendo uma história. Era uma história bem imbecil, que demonstrava uma falta de lógica enorme, mas eu me diverti escrevendo. Durante toda a adolescência escrevi histórias policiais ou de aventura."
Eram outros tempos. Nossa casa ainda recebia visitas e, antes da sucessão interminável de gatos que apareceram depois, tínhamos um cachorro. Hulk era o pitbull…
- por Bernardo Lins Brandão "Somos todos epicuristas. É no universo de Epicuro e em seu Jardim que nós, contemporâneos, vivemos, nos movemos e somos. Não que para isso precisemos ser filósofos: nosso epicurismo nos mais visceral que nossas vãs filosofias."
- por Pedro Rocha Souza Talvez o mais cativante na obra de Van Wieck seja o fato de que toda ela é feita da mesma matéria que nossa vida; que ele lance um olhar àquilo que já é por todos conhecido, àquilo que talvez nenhum de nós se atente em meio aos nossos afazeres diários, e que disto ele consiga tirar tanta beleza.