Soraia – por Douglas Lobo

- por Douglas Lobo “Soraia se debatia. Arranhava os antebraços dele com as unhas. Através da água, Bernardo via o rosto dela se contrair, os olhos arregalados. Só a perdia de vista, por alguns segundos, quando uma onda quebrava sobre ele, os sulcos de espuma remanescentes a lhe dificultarem a visão. ”

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Morte Térmica

- por Marcel Novaes “A imagem na moeda era o rosto de um homem, de perfil, com algumas palavras em volta. Com um movimento da mão, ele fez a moeda virar. Do outro lado, havia um número 5 e a imagem de uma águia, pousada sobre uma coisa redonda. Dentro da coisa redonda, uma suástica. Em volta disso, as letras pareciam ser Deutsches Reich 1938”

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A Cura – por Matheus Araújo

No dia seguinte, chegaram na igreja discretamente. Jonas, de camisa social cinza, topete penteado para trás disfarçando a calvície, calça de linho e sapato bico fino; Eunice, com cabelos escorridos chegando nos ombros, vestido longo até abaixo dos joelhos e Bíblia na mão; Renato, o garoto, andava meio corcunda, torto, cabelo desgrenhado, olhando para baixo, tímido — os três entravam naquela pequena casa em que uma placa grande indicava: "Igreja dos Cavaleiros de Fogo de Jesus Cristo Nosso Senhor". 

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 Entrevista com Karleno Bocarro

- Entrevista concedida a Matheus Bensabat "Karleno Bocarro nasceu em Fortaleza e mudou-se, aos 23 anos, para a Alemanha, como bolsista do governo Alemão, e formou-se em História, Ciência da Cultura e Filosofia na Universidade Humboldt de Berlim. Com muito empenho, Karleno iniciou um mestrado em Filosofia, com o tema “A Vontade de Criar – Um Estudo da Estética de Friedrich Nietzsche"...

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O Caso Misterioso do Assassínio do Relojoeiro

- Gabriel Coelho Teixeira A lua vai alta. Abaixo, uma rua paira deserta. A madrugada avança. Na via pública as lâmpadas são escassas. Os halos de luz provenientes da queima do querosene são fracos, impotentes contra a força opressiva da noite. Em vez de se oporem à escuridão, incorporam-se nela, evocando ares fantasmagóricos.

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O Retrato de Anna Kariênina 

-por Lucas Petry Bender Todas as histórias de amor são parecidas, mas as histórias tolstoianas são de amor são a modo próprio. Ler ou reler Anna Kariênina (publicado originalmente em 1878, aqui citado na edição de 2021 da Editora 34, traduzida por Irineu Franco Perpetuo) é uma dessas grandes descobertas da vida, e embora muito já tenha sido dito a respeito, é sempre possível renovar o entusiasmo diante de um clássico dessa magnitude.

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Heloísa

- por Matheus Bensabat Quando Heloísa completou a última volta na coroa, percebeu que a filha se encaminhava para a sala. Deixou o bastidor sobre a mesa e guardou os carretéis na caixa de costura, mirando-a. Amanda dirigiu-lhe um olhar pesaroso e culpado, desviando-o em seguida, encostando as costas no batente da porta. As olheiras destacavam-se no rosto alvo, e os passos, curtos e cadenciados, mostravam-na acuada. A mãe deteve-se, primeiro, nos machucados da mão, que ela não conseguira ocultar, e pelo olhar da filha, entendeu tudo. Heloísa começava a sofrer.

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Maria – por Andre Klojda

- por Andre Klojda "Aproximava-se o horário do fim do expediente, e Maria ainda não conseguira parar um momento sequer naquele dia: “Venha aqui”, “Vá acolá”, “Ajude-me um instante!”, suas colegas pediam. Com comovente solicitude, sem palavra agressiva ou mau pensamento, Maria atendia a cada uma."

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