
O Arcanjo cabeleireiro — um conto de Raul Martins Lima
— por Raul Martins Lima Numa rua sem saída existe uma casinha. Pequena, simples, sem janelas na lateral porque espremida entre duas outras casas com
— por Raul Martins Lima Numa rua sem saída existe uma casinha. Pequena, simples, sem janelas na lateral porque espremida entre duas outras casas com
Tratavam-no como os antigos tratavam os oráculos. Ou quase isso: é bem verdade que muitos, em especial os mais jovens e os turistas, como seria de se esperar, escolhiam a via do folclore. Ainda assim, é justo dizer, todos guardavam diante dele certa reverência.
A luz do sol entrava pelos vitrais da janela luxuosa do escritório e coloria o rosto do cangaceiro. Ele despertou com aquela luminosidade nas pálpebras fechadas e olhou o relógio de bolso.
A primeira árvore de Natal que tivemos em casa, quando eu era criança, era das muito simples — alguns galhos de arame encapados com papelinhos verde-escuros, parecendo patas de um inseto peçonhento.
Era no tempo das radionovelas. Terça-feira, pouco mais de meio-dia. O Rio de Janeiro estava quente, quente pra diabo. E o Largo do Machado estava lotadíssimo — horário dos almoços rápidos, horário das conversações urbanas e horário das muvucas.
Nenhuma resposta. Girou a maçaneta. Na tela do computador, um desenho japonês de duas mulheres nuas; em cima da escrivaninha, condicionador e um rolo de papel higiênico. O irmão se encolheu, cobrindo-se com uma toalhinha e fechando a aba do computador com a mão que sobrava.