
A árvore e a fruteira – por Juliana Amato
A primeira árvore de Natal que tivemos em casa, quando eu era criança, era das muito simples — alguns galhos de arame encapados com papelinhos verde-escuros, parecendo patas de um inseto peçonhento.

A primeira árvore de Natal que tivemos em casa, quando eu era criança, era das muito simples — alguns galhos de arame encapados com papelinhos verde-escuros, parecendo patas de um inseto peçonhento.

Era no tempo das radionovelas. Terça-feira, pouco mais de meio-dia. O Rio de Janeiro estava quente, quente pra diabo. E o Largo do Machado estava lotadíssimo — horário dos almoços rápidos, horário das conversações urbanas e horário das muvucas.

Nenhuma resposta. Girou a maçaneta. Na tela do computador, um desenho japonês de duas mulheres nuas; em cima da escrivaninha, condicionador e um rolo de papel higiênico. O irmão se encolheu, cobrindo-se com uma toalhinha e fechando a aba do computador com a mão que sobrava.

Quando chego, ela me reconhece e me cumprimenta com uma brincadeira. Ainda tem o mesmo olhar instigante, o humor que contagia, o espírito envolvente. Sorrio como resposta.

“Adentrou o último pátio após ter atravessado dezenas de arcos túmidos monumentais, pelos quais poderiam passar elefantes montados. Sentou-se sob a copa de uma laranjeira indicada pelos guardas e aguardou enfadado pelo seu senhor. Estava com sorte, não teve de esperar muito.”

Existiam terrenos baldios na cidade, mesmo em regiões não muito distantes do centro. Alguns deles se tornavam campinhos de futebol improvisados, cujos limites eram marcados pelo mato e não havia linhas. Não havia a grande área e muito menos a pequena