A Jumenta de Balaão – por Gabriel Campos Medeiros

— por Gabriel Campos Medeiros

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— Sabe o que é? Não é nada fácil conduzir as pessoas. E quem vê de longe pensa que é simples, que é uma questão de convencimento, de chegar e dizer: “Faça isso assim, vá por esse caminho…” Não. Depois de uma instrução dessas, milhares de situações, quase todas problemáticas, começam a aparecer, uma mais impossível que a outra: é um emaranhado de culpas que sai de dentro da pessoa, e quanto mais se puxa, mais a pessoa se sente mal, e se queixa, e se justifica, e treme, e chora, como se aquilo estivesse borbulhando no estômago dela ou entalado na garganta há anos. A quem falarão? Não têm quem as ouça. Elas passam então a confiar em você, pior: elas orientam suas vidas de acordo com o que você diz a elas, e isso gera um vínculo muito forte…

— Como o de pai e filho…

— Maior, até, que o de pai e filho. Um filho não hesita em se rebelar contra o pai: a parábola do filho pródigo está aí para demonstrar isso. No nosso caso é diferente, corremos muito risco. Não somos um pai, mas não somos também um mestre que fica no alto da montanha sem esperar que os infelizes subam até ele sedentos de uma faísca da sua sabedoria. Ninguém se rebela contra aquilo que respeita ou contra aquilo com que não tem uma sólida proximidade. O pai está muito perto, o mestre muito distante. Nós estamos no meio termo, somos líderes, acessíveis e tolerantes. Saiba disso.

— Sim; eu sei, eu sei. Por isso mesmo quero ter certeza de que estarei fazendo a coisa certa, identificando bem a dificuldade da pessoa, lendo no fundo da alma dela aquilo que a aflige…

— E que tira a paz dela. Esse é o ponto mais importante. Se vêm até nós, é em busca de paz. Entenda isso. Não nascemos para viver em guerra. A paz provém de Deus, Ele no-la dá de graça. Infelizmente muitos não conseguem obtê-la, e então vêm até nós, que facilitamos as coisas: somos despachantes que descomplicam a grande burocracia dos cartórios celestes. Liderar é tranqüilizar, é proteger a pessoa do medo. Mas acaba que nós temos que ser mais do que líderes, temos que ser terapeutas, temos que fazer a pessoa ver que dentro dela há um resquício de paz, um sossego que o mundo não pode dar, nem o mundo nem ninguém. Ela tem que se autoconhecer, se quiser vencer. Aí começa um caminho de esperança na vida da pessoa…

— Ou seja, é preciso motivar a pessoa, já tão aflita, mostrando que nem tudo está perdido, e que ela pode vencer…

— Que ela deve!…

— Que ela deve vencer, porque…

— Porque ninguém merece ser escravo a vida toda, nem de si mesmo, nem dos outros, nem do que se estabeleceu. Veja bem. Se eu tivesse sido fiel ao buraco de onde vim, se tivesse permanecido agarrado àquela mesmice do meu meio, apegado às minhas raízes, seguindo aquelas velhas práticas que não levam a nada, eu estaria deixando de cumprir o meu propósito, estaria enterrando o meu tesouro, estaria aceitando a repugnante condição de ser mais um dentre os sete filhos da dona Francisca, mais um dentre os três mil e poucos habitantes daquela cidadezinha onde até hoje o sino bate, pontualmente, todo santo dia, convocando a boiada, coitados, para assistir à missa, como bezerros submissos: eu mesmo quanto tempo não passei ajudando padre em missa, cuidando de irmão menor em casa, destinado a ter para sempre uma vidinha miserável de interior! Foi quando bati na mesa: “Não nasci para isso”. E rompi, rompi com tudo que me prendia, com tudo que impedia meu crescimento, escolhi o caminho mais difícil, eu sei, porque não é todo mundo que tem coragem de tomar essa posição diante da vida, de agir assim, se a maioria aceita o que é, os erros hereditários, a mentalidade medíocre de viver sem deixar marcas nas pessoas, pegadas no mundo… Ora, o que somos a não ser os rastros que deixamos? Muito cedo pensei nisso, e vim embora, ditei eu mesmo o rumo da minha vida.

— E como foi a reação dos seus familiares?

— Não sentiram falta de mim, quero acreditar. Para mim é como se eles nunca tivessem existido. Isso é bem curioso, aliás: somos tão acostumados a viver os sonhos dos outros que achamos que, se não fizermos tudo certinho, bonitinho, cumprindo um monte de regrinha estúpida que o bisavô ensinou ao vovô que ensinou ao papai sem nunca questionar, vamos parar no inferno. Mas se questionamos, logo temos a resposta: isso é fruto de obras humanas, é viagem da cabeça doida deles, formatada por outros doidos que fizeram a cabeça deles, e esse fardo, mais pesado do que podemos suportar, chega até nós, mas não é nosso. Temos livre escolha. Rompi com tudo isso, e veja onde estou… Montei do zero minha família… Marido, pai, cristão… Lidero pessoas e mostro a elas que elas também podem

Devem

Devem! Devem tomar posse do seu próprio destino, libertos das cadeias familiares, das amarras do mundo, das algemas de um passado que não lhes pertence, que só trava suas mãos, que só os impede de agir… Que importa o que o tio fulano de tal fez ou deixou de fazer? O que isso diz respeito a mim? Vai me auxiliar no meu crescimento? Quando a única coisa que me liga aos que já se foram é um elo de sangue… sangue! E nada mais. Morreu, morreu. Deixou algo para mim que eu possa ver, que eu possa pegar? Se deixou, ótimo; se não deixou, melhor ainda: digo adeus. E adeus eu disse sem deixar saudade. E me esqueceram, quero acreditar, e fico satisfeito que me esqueçam. Devo alguma coisa a eles? Um nome, um sangue… que vale isso? Não faço a menor questão de ser lembrado pelas minhas origens, pelo que fui, mas pelo que conquistei, pelo que me tornei, pelo que fiz pelas pessoas à minha volta, pela marca que meu testemunho produziu nelas, pela minha trajetória, pela minha vitória! É isso que importa afinal. É olhar para a sua vida e poder dizer: tive amigos mais chegados que irmãos.

— O resto é o resto…

— Para você ver: quando meu pai esteve doente, eu já tinha me mudado para cá, e então pedi a um dos meus irmãos de sangue, o Antônio, que era mais próximo a mim, que segurasse as pontas lá, porque não tinha como eu sair daqui para acudir seu Sebastião. Era o meu começo, ainda. Tinha acabado de reunir gente, de estimular o povo. Soube escolher, é claro, o bairro certo. Poucas vezes vi um galpão tão amplo, o aluguel a tão baixo preço. A receita atingia uma ótima monta, dali em breve daríamos início à reforma. Mais de cinqüenta cabeças consegui juntar para o mutirão. E quem ia tocar o barco senão eu? Falei: “Antônio, sinto muito, mas no sábado tenho que iniciar as obras. Eu daqui peço a Deus pelo pai, você peça daí”. Quer dizer, entreguei nas mãos de Deus. “É contigo, Senhor”, pensei. E dobrei meu joelho, e a Sua voz me disse que não interrompesse o que Ele estava prestes a começar, que prosseguisse, que avançasse; minha esposa, o mesmo: “Senti muito forte no coração, João, que você não deve ir; que essa gente precisa de você”. Tolo é o homem que discute com Deus e com a patroa, já diria o profeta…

— E o que disse Antônio?

— Nada, como costumava fazer quando ouvia algo que o desagradasse. Ah, Antônio, sempre quieto, sempre modesto, sempre pacato! Quando éramos crianças, ele, cinco anos mais velho do que eu, tinha a mania de me deixar ganhar, ao perceber que minha derrota já estava se encaminhando, o que me botava furioso, ele pulava para o lado errado me permitindo fazer o gol. Antônio, Antônio… Uma tia nossa repetia: esse chega a santo. Vivia despercebido por todos, foi o homem mais religioso que conheci. Sua única ambição era fazer a peregrinação a Santiago de Compostela, mas com que dinheiro? Nunca saiu da serralheria de seu Sebastião. Recordo a empolgação dele quando o pároco o encarregou de construir a estrutura que levaria Nossa Senhora de Nazaré no dia da procissão. O homem não saía da serralheria!

— Ainda está vivo?

— Se até hoje não se queimou com as fagulhas da solda, é bem provável que esteja. Eu é que nunca dei para o ofício, comecei a empreender já em menino. Mas sei quão raro é achar serralheiro bom. Foi uma luta encontrar um que prestasse para construir a estrutura do palco. Até pensei em mandar Antônio vir aqui, a comida e a hospedagem por minha conta. Doce ilusão: Antônio prefere morrer a erguer altar fora da Igreja dele… Iniciei e concluí as obras, o resultado se vê hoje. Deus não é maravilhoso? Ele sabe de todas as coisas. Tempo passou, e nunca mais recebi notícia dos parentes. Eu ligava e ligava, e nada de Antônio me atender; fiquei preocupado, mas não me abati; levantei e fui até um irmão que tinha trabalhado no mutirão, um desses que é pau para toda obra, cabra duro, diligente, fui até ele e disse: “Não é você que tem família lá no Norte?”, “Sou eu mesmo, pastor”. E resolveu tudo que tinha que resolver. Primeiro sondou as irmãzinhas da cidade, que prontamente lhe puseram a par de tudo: seu Sebastião, serralheiro, pai de sete filhos, há seis meses vinha lutando contra um câncer no fígado, que lhe custou a vida; segundo, fez conforme eu instruí: descobriu a data do sepultamento. Pois lhe garanto que seu Sebastião não ficou sem coroa de flores. O irmão ainda providenciou um conhecido dele que tinha uma igrejinha não sei aonde para me representar junto à família e principalmente incomodar o padre encarregado de fazer as exéquias.

— Exéquias?

— Não sabe o que é?!… Quando uma pessoa morre, na Igreja Católica, durante o velório o padre diz umas frases, rezando pelo defunto, é a crença deles… E naquele tempo ainda era em latim: quanta soberba! Impedir isso era batalha perdida. A família é toda católica, eu seria voto vencido. Quem consegue destruir uma crença de mais de dois mil anos, que atrai tanto as pessoas quanto mais humildes elas forem? O que me compete é estar à espreita, sempre à margem da situação, gaiato como o gato, prudente como a serpente. Mandei um pastor em meu lugar, capaz de abalar as estruturas, de quebrar os paradigmas. Se todos se portassem assim, esse império já teria sido derrubado há muito, muito tempo. Ah, não posso me esquecer (você vai rir): adivinhe o nome do pastor!

— Não sei… Antônio, também?!

— Não, rapaz; diga outro: diga!

— Não tenho a menor idéia… pastor Martinho?

— Não, meu filho… Que pastor Martinho! Ninguém lá conhece Martinho nenhum. É um nome do Antigo Testamento, vamos ver se você é bom de bíblia…

— Elias… Isaías… Jeremias…

— Está quase lá… Mais um pouco, mais um pouco… Uma pista: não foi profeta, foi rei…

— Davi!

— Não!…

— Então não sei.

— Vá lá, eu digo: Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá. O nome do pastor era Ezequias!…

— ???

— Era uma piada pronta: o Ezequias versus as exéquias. Quando o irmão me falou o nome do pastor me escangalhei de rir. Que bela maneira de mangar, não é? Imagine: todos lá enlutados, afetando aquela gravidade que o católico ama ostentar, as carpideiras todas em êxtase, o cortejo saindo, encabeçado pelo padreco franzino, carrancudo, uns fiapos de cabelo no cocuruto, até que… Requiem aeternam dona eis, Domine… Ainda sei, viu só? Troço ridículo. O povo acreditava nessas coisas… Acabou? Não! De repente, com a camisa larga, com o colarinho apertado, a passos de jagunço, a bíblia debaixo do braço, era o pastor Ezequias que vinha vindo, e se punha a cantar: “Segura na mão de Deus…”,tumultuando as exéquias, repreendendo aquela papagaiada de padres-nossos e ave-marias. Depois fiquei sabendo que foi uma confusão danada, o pastor deve ter se sentido o último dos reformadores!

— Eu nunca tinha ouvido falar em exéquias…

— Eles acham que o defunto, mesmo sendo crente, fiel, precisa passar por uma etapa para se livrar das penas, das culpas, antes de ir para o céu. É uma ladainha… Besteira. Morreu, morreu. E Deus recebe o sujeito em Seus braços misericordiosos, sem isso de apagar marca nenhuma. O que tinha que ser apagado foi apagado na cruz. Estamos limpos, o sangue nos lavou… o sangue! Deus não pode ser um pai que desampara os filhos, nem Jesus um filho que desampara os irmãos. É errôneo sofrer o que Jesus já sofreu, e viver aterrorizado, sem reivindicar as bênçãos de Deus, se culpando, se martirizando… é um círculo vicioso, é um mau caminho! Somos herdeiros, não bastardos. Nascemos para gozar do melhor desta terra; e, depois, do melhor do céu. Ele não quer nosso sofrimento, quer nosso empenho: por isso nos dedicamos a conduzir as pessoas, que são como ovelhas sem pastor…

— Até porque há muitos lobos soltos por aí…

— Muitos! Por que as pessoas sofrem tanto? Porque, perdidas, acabam sendo predadas por lobos, que, com garras afiadas, fomentam a dor delas,porque precisam do sofrimento delas para perpetuar um projeto pessoal. Daí a importância de saber liderar, tirando as pessoas das mãos desses aproveitadores, desses manipuladores, desses confessores, para que conheçam a si mesmas, para que, por conta própria, não se afoguem no lamaçal de dor e sofrimento que há dentro delas. Não temos o direito de subestimar a força humana. Mas querem nos empurrar, goela abaixo, uma autoridade exterior, como se não soubéssemos usar os neurônios e formular, por nós mesmos, o nosso credo, o nosso código de conduta. Erram eles. A prova viva disso sou eu, tanto que estou aqui lhe transmitindo meu entendimento: um sujeito que veio de onde eu vim, guiando tanta gente que se visse de onde eu vim jamais olharia na minha cara, a não ser com desprezo, é ou não é sinal do poder de Deus?

— Ah, sim…

— Mas, por hoje, é só isso. O próximo encontro é daqui a duas semanas, correto?

— Correto, correto.

— Até logo.

— Até.

E nunca mais voltei àquela sessão de adestramento para aspirantes a líderes. O que se deu comigo, naquela época, transitou entre uns momentos de obstinado estudo e outros de morosa meditação. Os anos se passaram. Já homem feito, firme em meu caminho, vi correr a notícia na paróquia, e não por boca de vigário: o pastor João Arruda, líder de uma das maiores congregações protestantes do país, estava internado em estado grave.

Não pensei duas vezes. Era sexta-feira, fui ter com ele.

— O senhor se lembra de mim?

E o pastor, entrevado naquele leito fundo, franzia o cenho, espremia os olhos, tentando distinguir aquele vulto de batina, postado à sua frente. Até que balbuciou:

— Não… não tenho… não tenho certeza…

E então pronunciei, pausadamente, as seguintes palavras:

Requiem aeternum…

Foi o bastante para o pastor, antes gélido e pálido, corar, enervando-se, e desatar a chorar, com lágrimas que transmitiam um reprimido desespero, com expressão menos de líder famoso que de pobre suplicante. Prossegui:

— O senhor sabe o que vim fazer aqui.

E, sem conseguir expressar um raciocínio, agarrou minhas mãos de jovem padre, que lhe estendia, enquanto soluçava, gemia, como se num turbilhão sentisse sobre si o insuportável peso das suas culpas.

— Nunca pude esquecer aquela nossa conversação — disse —, eu era um adolescente, e aquela palavra que o senhor me disse, “exéquias”, não me saiu da mente; e o início daquela oração, “Requiem…”, despertou em mim certa curiosidade… O senhor não notou minha ausência nos encontros subsequentes, e me espanta que tenha se lembrado de mim, mas eu, que procurava um caminho, ouvi do senhor o que mais tarde compreendi significar “descanso”. E embora não tenha retido o restante do nosso diálogo, garanto que o senhor soube, sem saber, resolver a sua situação e a minha: o pastor certamente conhece a passagem da jumenta de Balaão.

O pastor recuava, um pouco; crescia-lhe no rosto extenuado certo horror, seguido de um retraimento meio infantil.

 — A minha busca me levou longe — continuei. — Esqueci aquela história de liderança; eu, que já amava pesquisar as coisas desde a origem, me afundei no estudo da história, da história dos homens, da história da Igreja, até que o que era uma vaga inclinação, uma longínqua simpatia, tornou-se dura pedra em meu sapato…

— Eu… — o pastor tentava falar.

— Sofri muito — emendei, indicando ao pastor que descansasse, que não fizesse esforço. — Quantas noites me vi assaltado pela dúvida: tomo ou não a decisão? Entrei no seminário, e fui feito padre.

— Eu… eu… jamais… poderia… — esforçava-se o pastor.

— Nem eu poderia imaginar. O que posso imaginar é que o nosso tempo é curto. Pois saiba que não foi vão o pastor ter decorado o início do Requiem. Sem isso, nem o pastor teria um padre que lhe acudisse na hora derradeira, nem o padre um pastor a quem ministrar sacramento tão vital já no primeiro ano de sacerdócio. Deus sabe de todas as coisas. Agora o pastor se confesse, e lhe darei a absolvição; e, tendo em vista o seu quadro, do qual já me informei, lhe darei, ainda, a extrema-unção, comprometendo-me a rezar quantas missas o calendário litúrgico permitir em prol da alma do pastor.

O pastor acedeu, como eu lhe cravasse um cajado no pescoço.

Ao sair do quarto, vi um homem magro, distinto, que vestia uma camisa xadrez e tinha muita pressa; parecia, naquele profundo corredor de hospital, atordoado e sem saber para onde ir; notou minha batina e, me abordando, indagou:

— É aqui o quarto em que está internado o pastor João?

— É sim. Mas o pastor vai ter que vir mais rápido da próxima vez.

E lhe entreguei um crucifixo, não sem dizer, alto e bom som:

Factum est

Deixou a bíblia cair no chão, tão nervoso ficou.

Tentações do Subsolo – Dostoiévski, René Girard e a poética da imitação (#mêsdosubsolo)

Memórias do Subsolo é uma amostra de 150 páginas do que Augusto dos Anjos chamou de “a gargalhada da última derrota”; um riso altivo, despeitado e nada alegre. É o diário de um homem em quem até a honestidade é uma mentira; que confessa baixezas, inventa ódios e rancores, apenas para mascarar a sua humana indigência em relação aos que estima, ama e idolatra.

Encontro Marcado – um conto de Gabriel Coelho Teixeira

As tão esperadas férias finalmente raiaram junto com o Sol naquela manhã de início de julho, e o jovem, ansioso, não tardou a agir: aprontou-se logo, despediu-se dos pais e apanhou da caminhonete, partindo da capital para o interior, onde passaria os próximos trinta dias em casa de parentes.

“Elegia 1938” um poema do subsolo – por Pedro Sette-Câmara

O subsolo pode ter recebido esse nome na Rússia, mas a experiência é universal o suficiente para poder ser discernida nas diversas literaturas. No Brasil, o poema mais subsolesco de que me lembro é “Elegia 1938”, de Carlos Drummond de Andrade, que se presta muito bem a ser lido à luz de Dostoiévski.

O belo e o sublime: Pobre Gente #MêsdoSubsolo – Temas do subsolo na literatura brasileira recente

O narrador do romance de Dostoiévski é alguém obcecado pelo “belo e o sublime” e que em vários momentos julgou que poderia vencer as adversidades do mundo pelo simples fato de conhecer as sutilezas desse objeto de obsessão.

O livro no fígado – conto inédito de David Carvalho

Todas as noites o Grão-turco sonha o mesmo sonho, onde se levanta da cama, em seu palácio na urbe de domos amarelos brilhantes, e anda completamente sozinho pelas ruas até se ver caçado por um Leão terrível.